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Mitos comuns: "Fraqueza", "frescura" ou "falta de fé"?
Mitos como estes se tornam barreiras para quem precisa de ajuda
Por Psican. Francisco Braga
Publicado em 02/05/2026 17:58 • Atualizado 02/05/2026 18:00
Saúde Mental
Pessoa no fundo do poço emocional que precisa de ajuda

Esses mitos são extremamente prejudiciais e constituem uma das maiores barreiras para que as pessoas busquem ajuda.

Associar problemas de saúde mental a "fraqueza de caráter" ignora completamente suas causas complexas, que envolvem fatores biológicos (genética, química cerebral), psicológicos (traumas, padrões de pensamento) e sociais (desemprego, violência).

 Ninguém diz que uma pessoa com diabetes é "fraca"; com a saúde mental deve ser a mesma lógica.

Chamar de "frescura" ou "drama" minimiza o sofrimento real e intenso que a pessoa está sentindo.

Uma crise de pânico, por exemplo, com taquicardia e sensação de morte iminente, é uma experiência física e emocional devastadora, não uma escolha ou um exagero.

Esse tipo de descrença faz com que a pessoa se sinta ainda mais sozinha e envergonhada, podendo agravar seu estado.

A ideia de que "fé" ou "pensamento positivo" são curas suficientes também é perigosa.

Embora a espiritualidade possa ser um importante pilar de apoio para muitos, ela não substitui o tratamento profissional adequado.

 Isso seria o mesmo que dizer para uma pessoa com uma perna quebrada apenas rezar, sem procurar um médico.

 A fé pode dar conforto e força para o enfrentamento, mas o tratamento envolve técnicas específicas.

É crucial normalizar a experiência do sofrimento psíquico.

Assim como todo mundo já teve uma dor de cabeça, uma febre ou uma gripe, também é universal experimentar períodos de tristeza profunda, ansiedade intensa, luto, estresse incapacitante ou confusão existencial.

 Esses momentos fazem parte da condição humana e não significam, necessariamente, a presença de uma doença mental grave.

Reconhecer isso quebra a falsa dicotomia entre "os sãos" e "os doentes". Estamos todos em um contínuo de saúde mental, e nossa posição nesse espectro pode mudar ao longo da vida, dependendo das circunstâncias.

 Uma perda significativa, uma demissão ou um acidente pode deslocar qualquer pessoa para um estado de maior vulnerabilidade, exigindo cuidados e tempo para se reequilibrar.

* Francisco Braga é Psicanalista, Especialista em Neuropsicanálise, Especialista em Neuroterapia com Hipnose e Saúde Mental e Pós-graduando em Saúde Mental e Psiquiatria (Urgências Psiquiátricas) 

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