O suicídio não é considerado uma doença, muito menos um acidente, mas pode ser encarado como uma consequência de um vasto leque de doenças, sobretudo de doenças psiquiátricas as quais ocupam um papel importante na vida do sujeito.
Os transtornos mentais estão fortemente associados ao suicídio, apresentando-se em cerca de 80 a 100% dos casos de suicídios consumados.
Segundo consta no DSM-V (2013) 5 a 6% dos indivíduos com esquizofrenia morrem devido ao suicídio, sendo que 20% destes doentes tentam o suicídio.
A depressão surge como a entidade nosológica mais frequentemente relatada, como estando presente em mais de metade dos suicidas, o que leva a crer que os comportamentos suicidas são uma característica sintomatológica da depressão.
Por exemplo, a Organização Mundial da Saúde, revela que 80% dos potenciais suicidas apresentam sintomas severos de depressão.
Podemos constatar que os sintomas depressivos, a desesperança e a ideação suicida são importantes preditores de suicídio.
Por outro lado, algumas doenças físicas estão também associadas ao comportamento suicida, como é o caso da SIDA, a Síndrome de Dor Crônica, doenças neurológicas, entre outras.
A OMS em 2006, sublinhou um conjunto de fatores associadas ao comportamento suicida, designadamente: o isolamento social; a doença física; o consumo de álcool e de substâncias psicoativas; a violência familiar; a impulsividade; a falta de competências para enfrentar problemas; a vergonha; a culpa; a tentativa de suicídio anterior; e o fácil acesso aos meios/métodos para a conclusão do ato suicida.
Como previamente referido, também a presença de ideação suicida anuncia, por si só, um grande risco para futuras tentativas de suicídio e estas, por sua vez, ampliam o risco de suicídio consumado.
Existem vários estudos que referenciam o autodano como um importante fator de risco do comportamento suicida, sendo este um preditor importante deste comportamento.
O risco de suicídio na presença de comportamentos de autodano pode variar consoante a motivação deste último comportamento. Todavia, ainda não está suficientemente elucidado por que razão o autodano é considerado um fator de risco para o comportamento suicida, uma vez que o autodano é facilmente confundível com a tentativa de suicídio.
Glenn e Klonsky (2009) constataram que, normalmente, são encontradas elevadas taxas de ideação suicida em indivíduos que se autolesionam. Uma vez que estes dados nos revelam que o autodano está relacionado com a ideação suicida, torna-se fundamental abordar a relação deste comportamento (sem intenção suicida) com o suicídio.
Refere-se à dupla de pesquisadores da psicologia e da psiquiatria formada por Catherine R. Glenn e e. David Klonsk. Eles são amplamente reconhecidos no meio acadêmico internacional por seus estudos científicos pioneiros sobre autolesão não suicida, ideação suicida e comportamentos autodestrutivos em adolescentes e jovens adultos.
Autodano refere-se ao ato de causar prejuízo, lesão ou sofrimento a si mesmo, seja de forma física, psicológica, emocional ou financeira.
No contexto da saúde mental, o termo é frequentemente associado à automutilação (como cortar-se ou queimar-se) e a comportamentos autodestrutivos (como o abuso de substâncias ou transtornos alimentares), geralmente usados como um mecanismo disfuncional para lidar com dores emocionais intensas.
Francisco Braga - Psicanalista, Neuropsicanalista, Neuroterapeuta com Hipnose, Especialista em Saúde Mental (Urgências Psiquiátricas), Especialista em Psicopatologia e Psicofarmacologia.